Primeira
Reunião de Cúpula das Américas
Miami, Florida, 9 ao 11 de Dezembro de
1994
Primeira Reunião de Cúpula das Américas
Plano de Ação
O seguinte documento é o texto completo do Plano de Ação assinada pelos
Chefes de Estado e de Governo participantes da Primeira Cúpula das Américas.
Sumário
I. Preservação fortalecimento da
comunidade de democracias das Américas
1. Fortalecimento da democracia
2. Promoção e proteção dos direitos humanos
3. Revigoramento da sociedade/participação comunitária
4. Promoção de valores culturais
5. Combate à corrupção
6. Combate ao problema das drogas ilícitas e crimes conexos.
7. Eliminação da ameaça do terrorismo nacional e intencional
8. Fortalecimento da confiança mútua
II. Promoção da prosperidade por meio
da integração econômica e do livre comércio
9. Livre comércio nas Américas
10. Desenvolvimento e liberalização dos mercados de capitais
11. Infra-estrutura hemisférica
12. Cooperarão no campo da energia
13. Infra-estrutura de telecomunicações e informação
14. Cooperação em ciência e tecnologia
15. Turismo
III. Erradicação da pobreza e da
discriminação no nosso hemisfério
16. Acesso universal à educação
17. Acesso eqüitativo aos serviços básicos de saúde
18. Fortalecimento do papel da mulher na sociedade
19. Estímulo a pequena e micro empresa
20. Capacetes brancos - Corpo de Emergência e Desenvolvimento
IV. Garantia do desenvolvimento
sustentável e conservação do nosso meio natural para as gerações futuras
21 . Parceria para o uso sustentável da
energia
22. Parceria para a biodiversidade
23. Parceria para a prevenção da poluição
Reunião de Cúpula das Américas Plano
de Ação
Os Chefes de Estado e de Governo
participantes da Reunião de Cúpula das Américas, 1994, em Miami, Flórida, dispostos a
fomentar os objetivos amplos estabelecidos em sua Declaração de Princípios e
conscientes da necessidade de progresso prático nas tarefas essenciais de promover a
democracia, promover o desenvolvimento, alcançar a integração econômica e o livre
comércio, melhorar a vida de seus povos e proteger o meio natural para as futuras
gerações, afirmam seu compromisso neste Plano de Ação.
I. PRESERVAÇÃO E FORTALECIMENTO DA
COMUNIDADE DE DEMOCRACIAS DAS AMÉRICAS
1. Fortalecimento da democracia
O fortalecimento, o exercício efetivo e a
consolidação da democracia constituem a prioridade política principal das Américas. A
Organização dos Estados Americanos (OEA) é o principal organismo hemisfério de defesa
dos valores e instituições democráticos; entre os seus propósitos essenciais figuram a
promoção e a consolidação da democracia representativa, com o devido respeito ao
princípio da não-intervenção. A OEA adotou procedimentos multilaterais para tratar de
problemas criados pela interrupção inconstitucional da ordem democrática. A fim de
evitar essas crises, a OEA deve envidar maiores esforços para promover os valores e
práticas da democracia e fortalecer social e economicamente os regimes democráticos já
estabelecidos.
Os Governos:
- Dispensarão pronta consideração à ratificação dos
Protocolos de Cartagena das Índias, de Washington e de Manágua de Reforma da Carta da
OEA, se ainda não o houverem feito.
- Fortalecerão o diálogo entre grupos sociais e promoverão
a participação dos grupos de base na solução de problemas ao nível local.
- Apoiarão as iniciativas da Organização dos Estados
Americanos no sentido de promover a democracia:
- Incentivando o intercâmbio de tecnologia relativas a
processos eleitorais e prestando assistência às entidades nacionais encarregadas de
organizar as eleições, a pedido do Estado interessado.
- Fortalecendo a Unidade de Promoção da Democracia, de modo
que possa prestar assistência a pedido do Estado interessado em assuntos tais como
processos legislativos e judiciais, reformas governamentais (incluindo administração de
justiça, modernização técnica de órgãos legislativos nacionais, simplificação de
regulamentos governamentais e promoção da participação de organizações comunitárias
na democracia local) e outras mudanças institucionais.
- Incentivando oportunidades de intercâmbio de experiências
entre instituições democráticas dos Estados membros, principalmente entre
organizações parlamentares e entre organizações judiciárias.
- Promovendo a compreensão, o diálogo e a reconciliação
política a pedido do Estado afetado e levando em consideração que a reconciliação
nacional deve ter origem interna
- Instando a OEA a que promova e acompanhe a execução
desses compromissos.
2. Promoção e proteção dos direitos
humanos
O desenvolvimento de conceitos e normas de
direitos humanos tem registrado grande progresso no Hemisfério, mas sua implementação
ainda revela sérias imperfeições. Embora a responsabilidade pela aplicação dos
direitos e obrigações legais caiba, em última análise, aos tribunais, também é
necessário reformar outras instituições a fim de contribuir para o desenvolvimento
adicional de um clima de respeito dos direitos humanos. Além disso, o acesso à justiça
deve ser universal e deve haver meios de observância efetiva dos direitos básicos. Uma
democracia é avaliada pelos direitos de que desfrutam os segmentos menos influentes.
Os Governos:
- Examinarão detidamente sua adesão a instrumentos
internacionais relacionados com direitos humanos dos quais ainda não sejam partes.
- Cooperarão plenamente com todos os órgãos de direitos
humanos das Nações Unidas e interamericanos.
- Formularão programas para promoção e observância dos
direitos humanos, incluindo programas educativos que informem a população sobre sua
obrigação de respeitar os direitos de outros.
- Promoverão políticas que assegurem à mulher o pleno gozo
de seus direitos civis em condições de igualdade no âmbito da família e da sociedade,
e assegurarão a eliminação de constragimentos que impeçam a participação feminina
plena como eleitoras, candidatas e ocupantes eleitas ou nomeadas de cargos públicos.
- Examinarão e fortalecerão as leis de proteção dos
direitos de grupos minoritários e das populações e comunidades indígenas para
assegurar que não sofram discriminação, para garantir a sua proteção plena e sem
discriminação perante a lei e facilitar a sua ativa participação cívica. Apoiarão um
processo de exame e de estímulo da proteção dos direitos indígenas nos Estados membros
da OEA e prepararão prontamente uma declaração eficaz das Nações Unidas sobre
direitos indígenas.
- Examinarão a legislação nacional sobre deficientes, bem
como os benefícios e serviços a eles prestados, e introduzirão quaisquer reformas
necessárias para facilitar-lhes o gozo dos mesmos direitos e liberdades estendidos aos
demais membros da sociedade.
- Tomarão todas as medidas necessárias para garantir os
direitos da criança e, nos que ainda não o tiverem feito, examinarão detidamente a
ratificação da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.
- Garantirão a proteção dos direitos humanos de todos os
trabalhadores migrantes e de suas famílias.
- Adotarão as medidas necessárias para corrigir condições
desumanas nas prisões e reduzir ao mínimo o número de detidos à espera de julgamento.
- Examinarão os currículos de treinamento de policiais para
assegurar que incluam o correto tratamento de suspeitos e detidos, bem como as relações
com a comunidade.
- Intercambiarão experiências em matéria de proteção dos
direitos humanos no nível nacional, quando possível, cooperarão para o desenvolvimento
do treinamento de policiais e forças de segurança ou de outros programas, com vistas a
reduzir o potencial de violações de direitos humanos.
- Instarão a OEA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) a estabelecer ou fortalecer programas, conforme apropriado, para apoiar projetos
nacionais que visem à promoção e observância de direitos humanos no Hemisfério
Ocidental.
- Seguirão fortalecendo a Comissão Interamericana de
Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
3. Revigoramento da
sociedade/participação comunitária
Uma sociedade civil sólida e
diversificada, organizada de várias formas e em diversos segmentos, incluindo
indivíduos, setor privado, setor trabalhista, partidos políticos, setor acadêmico e
outros atores e organizações não governamentais, imprime profundidade e durabilidade a
democracia. Da mesma forma, uma democracia vigorosa requer ampla participação em
questões públicas. Tais atividades devem ser implementadas com transparência total e
abertura completa ao exame da sociedade. Para tanto, deve-se estabelecer um quadro
jurídico e regulador apropriado que inclua a possibilidade de obter apoio técnico e
financeiro, inclusive de fontes privadas.
Os Governos:
- Examinarão a estrutura reguladora da ação dos atores
não-governamentais, com vistas a facilitar suas operações e promover sua capacidade de
receber fundos. Esse exame porá ênfase na gestão e supervisão dos recursos, bem como
na transparência e na abertura ao exame da ação desses atores por parte da sociedade.
- Adotarão medidas para melhorar a participação em
atividades sociais e iniciativas de grupos tradicionalmente marginalizados, incluindo
mulheres, jovens, comunidades indígenes e os mais pobres.
- Intercambiarão, na Conferência de Cúpula sobre
Desenvolvimento Sustentável, a ser realizada na Bolívia, em 1996, relatórios sobre o
andamento das atividades na área da sociedade civil.
- Examinarão o desenvolvimento, por parte do BID, de um novo
programa para a sociedade civil, destinado a encorajar a filantropia responsável e
confiável e a participação cívica em assuntos de política pública.
4. Promoção de valores culturais
O desenvolvimento cultural é um elemento
fundamental e integral do desenvolvimento nas Américas e tem capacidade inerente para
enriquecer as nossas sociedades e para gerar maior compreensão entre nossos países.
A fim de promover os valores culturais, os
Governos:
- Incentivarão relações mais dinâmicas entre as
instituições e organizações públicas e privadas, incluindo universidades, museus,
centros de arte e literatura, bem como entre agentes culturais individuais. Esses
intercâmbios ressaltam nossa diversidade cultural, reconhecem o valor das nossas culturas
locais e contribuem para melhorar a compreensão no Hemisfério.
- Solicitarão à OEA e ao BID que reforcem seus planos e
programas com vistas a facilitar tais intercâmbios culturais e o fluxo de informação
cultural e histórica dentro dos países e entre eles.
5. Combate à corrupção
Atualmente, o problema da corrupção é
motivo de séria atenção não apenas neste Hemisfério, mas em todas as regiões do
mundo. A corrupção, tanto no setor público quanto no privado, enfraquece a democracia e
solapa a legitimidade de Governos e instituições. A modernização do Estado, incluindo
a desregulamentação, privatização e simplificação dos procedimentos governamentais,
reduz as oportunidades de corrupção. Todos os aspectos da administração pública numa
democracia devem ser transparentes e abertos ao exame público.
Os Governos:
- Promoverão uma discussão aberta dos problemas mais
significativos que enfrentam os Governos e indicarão as reformas prioritárias
necessárias para tornar as operações governamentais transparentes e abertas ao exame
público.
- Assegurarão a apropriada supervisão das funções de
governo mediante o fortalecimento de mecanismos internos, incluídas a capacidade de
investigação e aplicação da lei em casos de corrupção e a facilitarão de acesso
público à informação necessária para um efetivo exame externo.
- Estabelecerão normas a respeito de conflito de interesse
para os servidores públicos e medidas eficazes contra o enriquecimento ilícito, que
incluam severas penas para quem se valha da função pública em benefício de interesses
particulares.
- Exortarão os Governos do mundo a adotar e aplicar medidas
de combate ao suborno em todas as transações financeiras ou comerciais com o
Hemisfério; neste sentido, convidam a OEA a estabelecer ligação com o Grupo de Trabalho
da OCDE sobre Suborno em Transações Comerciais Internacionais.
- Desenvolverão mecanismos de cooperaçã nas áreas
judiciária e bancária a fim de possibilitar uma reação rápida e eficaz nas
investigações internacionais de casos de corrupão.
- Atribuirão prioridade ao fortalecimento dos regulamentos
governamentais e dos processos de compras públicas, arrecadação tributária,
administração da justiça e processos eleitorais e legislativos, valendo-se do apoio do
BID e de outras instituições financeiras internacionais, conforme o caso.
- Desenvolverão no âmbito da OEA, com o devido respeito aos
tratados aplicáveis e as leis nacionais, um tratamento hemisférico dos atos de
corrupção tanto no setor público quanto no privado, que incluiria extradição e
processo de indivíduos acusados dessa prática, mediante a negociação de um novo acordo
hemisférico ou de novos instrumentos no âmbito das estruturas de cooperação
internacional existentes.
6. Combate ao problema das drogas
ilícitas e crimes conexos
Os problemas das drogas ilícitas e das
atividades criminosas conexas representam séria ameaça às sociedades, às economias de
livre mercado e às instituições democráticas do Hemisfério. O uso de drogas impõe
imensos custos sociais; o dinheiro e a renda do tráfico de drogas representam uma
drenagem efetiva do crescimento econômico; e os grandes traficantes de drogas e as
organizações criminosas põem em perigo a segurança dos nossos povos por meio da
corrupção, intimidação e violência. Embora o tráfico de drogas continua a ser fonte
importante meio de fundos ilícitos, a indústria da lavagem de dinheiro abrange cada vez
mais ganhos de todos os tipos de atividade criminosa. Para enfrentar esses problemas, é
essencial adotar uma abordagem integrada e equilibrada que inclua o respeito a soberania
nacional. Por essas razões, é necessária uma ampla estratégia coordenada em âmbito
hemisférico para reduzir o uso e a produção de entorpecentes que inclua novos métodos
de aplicação da lei capazes de interromper as redes de tráfico de drogas e de lavagem
de dinheiro e de processar as pessoas envolvidas em tais atividades. Neste contexto, os
Governos tomam nota da Reunião de Cúpula de San Antonio, de 1992, endossam as
iniciativas da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas e concordam em
trabalhar em conjunto para formular uma estratégia de combate aos entorpecentes para o
Século XXI.
Os Governos:
- Ratificarão a Convenção das Nações Unidas sobre o
Tráfico ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotropicas de 1988 e sancionarão
como ilícito penal a lavagem dos rendimentos gerados por todos os crimes graves.
- Promulgarão leis que autorizem o congelamento e o confisco
dos resultados financeiros da lavagem de dinheiro e considerarão a partilha dos ativos
assim confiscados entre Governos.
- Implementarão, tal como acordado pelos ministros e
representantes de Governos do Caribe e da América Latina na Declaração de Kingston,
emanada da sua reunião realizada de 5 a 6 de novembro de 1992, as recomendações do
Grupo de Trabalho de Ação Financeira do Caribe sobre Lavagem de Dinheiro e procurarão
adotar os Regulamentos Modelo da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de
Drogas (CICAD).
- Incentivarão as instituições financeiras a informer as
autoridades competentes acerca de transações vultosas e suspeitas e formularão
procedimentos efetivos que possibilitem a compilação de Informação pertinente
proveniente de instituições financeiras.
- Trabalharão individual e coletivamente na identificação
das redes de tráfico de entorpecentes e lavagem de dinheiro da região, processarão os
seus chefes e confiscarão os ativos resultantes dessas atividades criminosas.
- Adotarão programas para prevenir e reduzir a demanda e o
consumo de drogas ilícitas.
- Adotarão estratégias nacionais efetivas e ambientalmente
adequadas para prevenir ou reduzir substancialmente o plantio e o processamento de
cultivos usados no comércio de drogas ilícitas, dispensando atenção especial ao apoio
nacional e internacional a programas de desenvolvimento que criem alternativas econômicas
viáveis à produção de drogas.
- Dispensarão atenção especial ao controle de precursores
químicos e apoiarão estratégias abrangentes de interdição de drogas.
- Fortalecerão as ações de controle de armas de fogo,
munições e explosivos, a fim de evitar desvio dos mesmos para traficantes de drogas e
organizações criminosas.
- Realizarão uma conferência em nível técnico, a ser
seguida de uma conferência no nível ministerial, para estudar e acordar uma reação
coordenada de âmbito hemisférico, incluindo a consideração da adoção de uma
convenção interamericana para combater a lavagem de dinheiro.
- Convocarão uma conferência hemisférica de doadores com a
participação de bancos multilaterais de desenvolvimento e orgãos das Nações Unidas,
com a finalidade de mobilizer recursos para programas de desenvolvimento altemativo
destinados a conter a produção, o tráfico e o uso ilícitos de entorpecentes, bem como
a reabilitar toxicômanos.
- Apoiarão as discussões iniciadas pela OEA com a União
Européia sobre medidas de controle de precursores químicos.
- Apoiarão a realização de uma conferência global sobre
combate aos entorpecentes.
7. Eliminação da ameaça do
terrorismo nacional e internacional
O terrorismo nacional e internacional
constitui uma violação sistemática e deliberada dos direitos individuals e uma
agressão à própria democracia. Ataques recentes de que foram objeto alguns dos nossos
países demonstraram a grave ameaça que o terrorismo representa para asegurança nas
Américas. Medidas tomadas pelos Governos para combater e eliminar essa ameaça são
elementos essenciais para garantir a lei e a ordem e para manter a confiança no governo,
tanto nacional como internacionalmente. Neste contexto, os que patrocinam atos de
terrorismo ou prestam assistência ao seu planejamento ou execução por meio do abuso de
privilégios e imunidades diplomáticos ou outros meios serão responsabilizados perante a
comunidade internacional.
Os Governos:
- Promoverão acordos bilaterais e sub-regionais com o
propósito de processar terroristas bem como punir as atividades terroristas no contexto
da protegão dos direitos humanos e das liberdades fundamentals.
- Convocarão, no âmbito da OEA, uma conferência especial
sobre prevenção do terrorismo.
- Reafirmarão a importância dos tratados de extradição,
ratificados pelos Estados do Hemisfério, e assinalarão que esses tratados sejam
estritamente cumpridos como expressão da vontade política dos Governos, em conformidade
com o Direito Internacional e as leis nacionais.
8. Fortalecimento da confiança mútua
A expansão e consolidação da democracia
nas Américas oferecem uma oportunidade de valorizar as tradições de paz e as relações
de cooperação que tem predominado entre os países do Hemisfério Ocidental. O nosso
objetivo é fortalecer a confiança mútua que contribua para a integração econômica e
social dos nossos povos.
Os Governos:
- Apoiarão as ações para incentivar um diálogo regional
destinado a promover o fortalecimento da confiança mútua, em preparação para a
conferência Regional sobre Medidas de Fortalecimento da Confiança a realizer-se em 1995,
cuja sede foi oferecida pelo Chile.
II. PROMOÇÃO DA PROSPERIDADE POR MEIO
DA INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E DO LIVRE COMÉRCIO
9. Livre comércio nas Américas
1) Ao procurarmos a integração
econômica e o livre comércio no Hemisfério, reforçamos o nosso sólido compromisso com
as normas e disciplines multilaterais. Endossamos a implementação plena e rápida da
Rodada Uruguai, negociações multilaterais ativas na Organização Mundial do comércio
(OMC), acordos comerciais bilaterais e sub-regionais e outros acordos comerciais
compatíveis com as disposições do GATT/OMC e que não levantem barreiras a outros
países.
2) Tem sido extraordinárias as
realização dos países do Hemisfério nos campos da liberalização do comércio e
integração sub-regional. O livre comércio e uma maior integração econômica são
fatores essenciais para o desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, novos avanços
serão obtidos à medida que nos empenharmos em fazer a liberalização do comércio e as
políticas ambientais se apoiarem mutuamente, levando em consideração os esforços do
GATT/OMC e de outras organizações internacionais. À medida que prosseguir a
integração econômica no Hemisfério, estaremos assegurando, de forma crescente, a
observância e promoção dos direitos do trabalhador, conforme definidos pelas
convenções internacionais pertinentes. Evitaremos restrições disfarçadas ao
comércio, de acordo com obrigações assumidas no GATT/OMC e outras obrigações
internacionais.
3) Nós nos empenharemos em maximizar a
abertura de mercado por meio de altos níveis de disciplina à medida que trabalharmos com
base nos acordos existentes no Hemisfério. Também nos empenharemos em conseguir acordos
equilibrados e abrangentes, incluindo entre outros: barreiras tarifárias e
não-tarifárias que afetem o intercâmbio de bens e serviços; agricultura; subsídios;
investimento; direitos de propriedade intelectual; aquisição govemamental; barreiras
técnicas ao comércio; salvaguardas; regras de origem; antidumping e direitos
compensatórios; padrões e procedimentos sanitários e fitossanitários; solução de
controvérsias e política de concorrência
4) Reconhecemos que as decisões sobre
acordos de comércio continuam a ser direito soberano de cada país. Além disso,
recorrecendo a importância do cumprimento efetivo dos compromissos internacionais, cada
país tomara as medidas necessárias, em conformidade com as próprias leis e
procedimentos, para implementar os acordos nas áreas incluídas neste Plano de Ação.
5) À medida que trabalharmos para
estabelecer a "Área de Livre Comércio das Américas", serão proporcionadas
oportunidades, como assistência técnica, a fim de facilitar a integração de economias
menores e elevar o seu nível de desenvolvimento.
Agenda de ação imediata
Instruímos os nossos ministros
responsáveis pelo comércio a tomar as seguintes medidas concretas iniciais para
estabelecer a "Área de Livre comércio das Américas":
6) Tendo em mente assegurar uma discussão
plena e completa entre as partes nos diversos acordos de comércio do Hemisfério,
determinamos que sejam realizadas reuniões no âmbito dos foros de comércio e
investimento existentes. Os membros desses foros determinarão as áreas de coincidência
e divergência em acordos específicos em fase de revisão e devem considerar os meios de
melhorar as disciplines entre eles e torná-los mais parecidos. Instruímos ainda os
membros desses foros a informer os ministros a respeito do andamento das suas discussões
e fazer recomendações para o estabelecimento da "Área de Livre Comércio das
Américas".
7) A transparência nos acordos
sub-regionais e bilaterais alcançados até esta data pelos países do Hemisfério e uma
clara compreensão dos mesmos são elementos críticos para fazer avançar a integração
do comércio e investimento nas Américas. Instruiremos a Comissão Especial de comércio
da OEA, com o apoio do BID, da CEPAL e de outras organizações regionais e subregionais
especializadas, a prestar assistência na sistematização de dados na região e a
continuar o seu estudo sobre acordos de integração econômica no Hemisfério, inclusive
breves descrições comparativas das obrigações contraídas em cada um dos acordos de
comércio existentes no Hemisfério. Daremos ainda instruções a Comissão Especial de
comércio no sentido de preparar um relatório sobre o seu trabalho até junho de 1995
para a reunião de ministros.
8) Instruímos os nossos ministros
responsáveis pelo comércio a: a) examinar o progresso do trabalho empreendido nos foros
mencionados nos parágrafos 6 e 7; b) oferecer orientação no tocante ao trabalho futuro;
e c) considerar áreas de ação imediatas como facilitação aduaneira e teste e
certificação de produtos com vistas a conseguir acordos de reconhecimento mútuo - que
possam ser tratadas nos foros pertinentes.
9) Portanto, lançamos hoje a "Área
de Livre Comércio das Américas" com o início do seguinte processo. Instruiremos a
OEA a prestar assistência ao país sede na realização das reuniões ministeriais.
Janeiro de 1995
Início dos programas de trabalho e
determinação de calendários nos foros indicados no parágrafo 6 e na Comissão Especial
de Comércio.
Junho de 1995
Reunião dos ministros responsáveis pelo
comércio
* Relatório preliminar sobre o andamento
do trabalho nos foros descritos no parágrafo 6.
* Relatório preliminar da Comissão
Especial de comércio.
* Áreas de consideração imediata
Março de 1996
Reunião dos ministros responsáveis pelo
comércio.
* Relatório final da Comissão Especial
de comércio aos ministros.
* Relatórios finais dos foros mencionados
no parágrafo 6 aos ministros.
* Calendário de trabalho adicional.
10. Desenvolvimento e liberalização
dos mercados de capitais
A disponibilidade de capital a taxas
competitivas é essencial para financiar o investimento do setor privado - um elemento
vital do desenvolvimento econômico. O desenvolvimento, liberalização e integração dos
mercados financeiros, tanto nacional como internacionalmente, o aumento da transparência
e o estabelecimento de uma supervisão solida comparável, bem como da regulamentação de
operações bancárias e do mercado de valores, ajudarão a reduzir o custo do capital
mediante o aumento da confiança do investidor e do depositante.
Os Governos:
- Formarão uma Comissão de Assuntos Financeiros
hemisféricos para examiner as medidas destinadas a promover a liberalização da
movimentação de capital e a integração progressiva dos mercados de capital, incluída,
se considerada apropriada, a negociação de diretrizes comuns sobre movimentação de
capital que permita a sua liberalização progressiva.
- Prepararão, em colaboração com o Banco Interamericano de
Desenvolvimento, uma lista completa das regulamentações nacionais de capital, a fim de
promover a transparência e apoiar as discussões na Comissão de Assuntos Financeiros
Hemisféricos.
- Apoiarão os esforços de cooperação da Associação de
Supervisores de Bancos da America Latina e do Caribe e do Conselho de Reguladores de
Valores das Américas, a fim de assegurar uma supervisão e regulamentação adequadas que
apóiem o desenvolvimento e a integração progressiva dos mercados.
A Comissão de Assuntos Financeiros
hemisféricos deve também examinar problemas relativos à dívida no Hemisfério, levando
em conta o trabalho em andamento e fazendo uso, conforme o caso, de ampla gama de
especialização.
11. Infra-estrutura hemisférica
O Desenvolvimento no Hemisfério depende
de medidas urgentes de estrutura, inclusive alocação prioritária de recursos
financeiros, de acordo com a legislação nacional e com a participação tanto do setor
público quanto do privado. A intensificação do fluxo de capital privado produtivo para
projetos econômica e ambientalmente adequados tem-se tornado cada vez mais vital para
todos os países do Hemisfério, à medida que o crescimento das fontes oficiais de
capital deixou de acompanhar o ritmo das necessidades da área.
Os Governos:
- Encarregarão os bancos multilaterais de desenvolvimento de
trabalhar com os Governos conforme o caso, com os interesses privados, para desenvolver
mecanismos para tratar das questões relativas a empréstimos e investimentos.
- Aproveitarão outras experiências regionais e
sub-regionais no Hemisfério para apoiar o desenvolvimento da infra-estrutura.
- Os Governos que o desejarem desenvolverão mecanismos
adequados, inclusive compromissos multilaterais e bilaterais sobre normas e práticas
juridical e reguladoras, a fim de promover o investimento privado, tanto nacional como
internacional, em projetos de infra-estrutura nacionais e transfronteiriços.
12. Cooperação no campo da energia*
Os países do Hemisfério começaram uma
nova era de crescimento econômico. Esta nova era baseia-se em maior cooperação
econômica, comércio mais livre e mercados abertos. O desenvolvimento econômico
sustentável requer cooperação hemisférica no campo da energia.
Os Governos:
- Convocarão para o primeiro semestre de 1995 uma reunião
decorrente desta Cúpula de autoridades hemisféricas a fim de incentivar cooperação
para estudar meios de desenvolver a indústria energética no Hemisfério, coerente com as
estratégias energéticas nacionais de custo mínimo e com as atividades descritas na
" Parceria para o uso sustentável da energia" nas seguintes áreas:
- Consideração de meios para usar o setor energético para
promover o crescimento econômico sustentável.
- Cooperação para estudar meios para otimizar e facilitar
os mecanismos de financiamento instituições financeiras internacionais com vistas a
apoiar o desenvolvimento de projetos no setor energético, incluindo especialmente os que
visam a aumentar a eficiência do uso de energia e os relativos à energia renovável
não-convencional.
- Cooperação para promover o investimento de capital e
incentivar o uso de mecanismos financeiros inovadores para incrementar o investimento no
setor energético e aumentar a eficiência no uso da energia e estimular o uso da energia
renovável não-convencional, em conformidade com a legislação e as necessidades de
desenvolvimento de cada país.
- Promoção do uso de tecnologia energéticas eficientes e
não-poluentes, tanto convencionais como renováveis, possibilitando um grau mais elevado
de conhecimentos e especialização técnica nesta área.
- Consideração de intensificação das atividades em curso
destinadas a estabelecer instalações para geracão de eletricidade e de outras fontes de
energia, em conformidade com as estruturas reguladoras nacionais e, onde aplicável, nos
termos de acordos subregionais.
*Esta iniciativa está integralmente
vinculada ao item relacionado com a " Parceria para o uso sustentável da
energia".
13. Infra-estrutura de
telecomunicações e informação
A infra-estrutura de informação de um
país - telecomunicações, tecnologia da informação rádio e teledifusão - é elemento
essencial do desenvolvimento político, econômico, social e cultural. São enormes as
necessidades do desenvolvimento da estrutura de informação. É intenção dos Governos
das Américas atender a essas necessidades por meio de múltiplas ações, quando
compatíveis com a respectiva legislação nacional, tais como incentivar o investimento
do setor privado para aumentar a participação nos setores de telecomunicações e
infra-estrutura da informação; promover a concorrência; implementar regimes reguladores
flexíveis; fomentar a diversidade de conteúdo, inclusive diversidade cultural e
lingüística; proporcionar aos fornecedores de serviço e infommação acesso às redes
de informação; e assegurar serviço universal, de forma que os benefícios da
infra-estrutura de informação estejam ao alcance de todos os membros das nossas
sociedades.
Os Governos:
- Participarão das discussões em andamento no nível
internacional a respeito das ações acima mencionadas, comprometendo-se a implementar
essas ações no respectivo país, levando em conta as condições e as circunstâncias
internas.
- Tomarão medidas para tomar a infommação governamental
mais publicamente disponível por meios eletrônicos.
- Examinarão a disponibilidade e interoperacionalidade de
ligações com as redes internacionais que facilitem o comércio, aperfeiçoem a
educação e melhorem o acesso aos cuidados da saúde.
- Incentivarão as principais universidades, bibliotecas,
hospitais e orgãos públicos a terem acesso a essas redes, com base no trabalho da Rede
de Infommação Científica e Tecnológica Interuniversitaria Hemisférica, da OEA.
- Por meio da Comissão Interamericana de Telecomunicações
(CITEL) e em coordenação com as organizações sub-regionais de telecomunicações,
formularão e implementarão um programa para:
- Avaliar os meios reguladores, técnicos e jurídicos com
vistas a promover a liberalização, normas comuns, interoperacionalidade das redes e
compatibilidade do espectro de rádio.
- Estudar meios de promover major compatibilidade dos
processos de certificação do equipamento de telecomunicações entre os países membros.
- Formular diretrizes para a prestação de serviços de rede
internacionais de valor agregado.
- Apoiarão a realização da reunião de autoridades de alto
nível de telecomunicações a realizar-se em 1996, coordenada pela CITEL, para discutir
mais a fundo as ações acima mencionadas.
14. Cooperação em ciência e
tecnologia
Há necessidade de reavaliar a interação
em curso no seio dos mecanismos regionais de infra-estrutura e cooperação sobre ciência
e tecnologia; de impulsionar uma cooperação melhor; de reduzir barreiras à
colaboração, de aumentar a demanda de tecnologia, de divulgar informação sobre
oportunidades tecnológicas utilizando novos avanços na tecnologia da informação e, de
modo geral, de melhorar a comunicação entre as principais organizações de ciência e
tecnologia, pesquisadores da região e médias e pequenas empresas com crescente base
tecnológica.
O compromisso dos países das Américas
com a não-proliferação adquiriu novo impulso com a aceitação do regime de
salvaguardas internacionais por parte de alguns dos nossos países. O notável progresso
alcançado neste campo deve ser enaltecido e deve contribuir para estimular as
oportunidades de cooperação na área de bens e tecnologias avançados.
Os Governos:
- Convocarão no próximo ano uma reunião dos Ministros
responsáveis pela ciência e tecuologia no Hemisfério para avaliar o progresso e
promover o Programa Bolivar e o Programa Mercado Comum do Conhecimento Científico e
Tecnológico (MECOCYT), com vistas a prestar o apoio necessário para melhorar parcerias
científicas e empreendimentos tecnológicos na região, bem como explorar a possibilidade
de criar um conselho de ciência e tecnologia
- Utilizarão os mecanismos multilaterais da região para
tratar de uma vasta gama de interesses comuns no campo da ciência e tecnologia, incluindo
melhor treinamento técnico profissional, desenvolvimento e implementação de polítical
nacionais e programas regionais, divulgação e padronização da ciência e tecnologia
(inclusive metrologia e outras normas técnicas), desenvolvimento de tecnologia ambiental
e parcerias mais eficazes para promover a aprendizagem e competitividade.
- Incentivarão major interação no campo da ciência e
tecnologia no Hemisfério e apoiarão iniciativas já empreendidas em outros foros, entre
os quais figuram o Instituto Interamericano de Pesquisa de Mudanças Globais e o Instituto
Internacional de Pesquisa de Previsão do Clima. Os Governos trabalharão para fazer
avançar e divulgar novas iniciativas, como o Programa Global de Aprendizado e
Observações em Benefício do Meio Ambiente (GLOBE).
- Confirmarão o seu interesse em participar de novas
iniciativas impulsionadas pela demanda decorrente de interesses do setor privado e
não-governamental nas oportunidades tecnológicas.
- Confirmarão os seus compromissos nacionais no sentido de
compartilhar informação sobre ciência e tecnologia com terceiros no Hemisfério, em
conformidade com as respectivas leis, e de ampliar a cooperação na pesquisa científica
e ambiental.
15. Turismo
O turismo é importante para nossas
economias e valioso para a promoção da compreensão entre os povos das Américas.
Os Governos:
- Empreenderão iniciativas para incentivar o turismo no
Hemisfério.
III. ERRADICAÇÃO DA P0BREZA E DA
DISCRIMINAÇÃO NO NOSSO HEMISFÉRIO
Grandes segmentos da sociedade no nosso
Hemisfério, em particular mulheres, minorias, deficientes, grupos indígenas, refugiados
e pessoas deslocadas, não foram preparados para participar plenamente da vida econômica.
Aproximadamente metade da população do Hemisfério ainda vive em condições de pobreza.
Uma participação mais ampla dos pobres nas economias da região, acesso aos recursos
produtivos, apoio adequado a meios de proteção sociais maiores investimentos no capital
humano são mecanismos importantes para ajudar a eliminar a pobreza. Em busca desses
objetivos, os Governos reafirmarão seu apoio as estratégias constantes "Compromisso
para Incentivar a Cooperação Solidaria e a Erradicação da Pobreza", aprovado pela
Assembléia Geral da OEA.
A conferência de Cúpula sobre
Desenvolvimento Social, a realizar-se em março de 1995 em Copenhagen, bem como a
conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher, em Beijing, em setembro de 1995,
proporcionarão oportunidades únicas para definir estratégias destinadas a promover a
integração social, o emprego produtivo e a eliminação da pobreza.
16. Acesso universal à educação
A alfabetização universal e o acesso à
educação em todos os níveis, sem distinção de raça, origem nacional ou sexo,
constituem a base indispensável do desenvolvimento social e cultural sustentável, do
crescimento econômico e da estabilidade democrática.
Os Governos:
- Trabalharão com os setores público e privado e com atores
não-governamentais e com o apoio de instituições multinacionais, para garantir o acesso
universal a uma educação primária de qualidade. Em particular, os Governos procurarão
alcançar, até o ano 2010, um índice de 100% de conclusão do curve primário e uma
matrícula mínima de 75% no nível secundário, e preparar programas de erradicação do
analfabetismo, prevenção da evasão escolar e melhoria do treinamento de recursos
humanos.
- Promoverão, O apoio de instituições financeiras
multilaterais e do setor privado, o treinamento profissionalizante de trabalhadores e a
educação de adultos, incorporando iniciativas no sentido de tomar essa educação mais
relevante para as necessidades do mercado e dos empregadores.
- Melhorarão o treinamento de recursos humanos, bem como a
preparação técnica, profissional, de professores, que são vitais para melhorar a
qualidade e a eqüidade da educação no Hemisfério.
- Aumentarão o acesso a educação superior e reforçarão a
qualidade da mesma, bem como promoverão a cooperação entre as instituições deste
setor na geração de conhecimentos científicos e tecnológicos necessários para o
desenvolvimento sustentável.
- Apoiarão estratégias para superar as deficiências
nutricionais de estudantes da escola primária, a fim de melhorar a sua capacidade de
aprendizagem.
- Apoiarão a descentralização na tomada de decisões
referentes à educação, incluindo medidas para assegurar o financiamento adequado e a
ampla participarão dos país, educadores, líderes comunitários e autoridades públicas.
- Examinarão os programas de treinamento regionais e
hemisféricos existentes, tomando-os mais sensíveis as necessidades atuais.
- Formarão uma parceria continental, operando por meio de
organizações existentes, a fim de atuar como foro consultivo dos Governos, atores
não-governamentais, comunidade empresarial, doadores e organizações internacionais,
visando a reforma de polítical educacionais e a um direcionamento mais eficiente dos
recursos.
- Instarão a conferência de Cúpula sobre Desenvolvimento
Social, a realizar-se em marco de1995, e a Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, a
ter lugar em setembro de 1995, a abordar o tema do acesso universal à educação.
17. Acesso eqüitativo aos serviços
básicos de saúde
Apesar dos marcantes avanços registrados
no Hemisfério, as limitações de acesso aos serviços de saúde e a qualidade dos mesmos
tiveram como resultado uma mortalidade materno-infantil persistentemente alta,
principalmente entre grupos rurais de baixa renda e grupos indígenas.
Os Governos:
- Endossarão os objetivos de saúde materno-infantil da
Conferência Mundial sobre a Criança, realizada em 1990, do Acordo de Nariño, de 1994, e
da conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento, de 1994, bem como
reafirmarão o seu compromisso de reduzir a mortalidade infantil em um terço e a
mortalidade à metade até o ano 2000 com base nos níveis de 1990.
- Endossarão um pacote básico de serviços clínicos
preventivos e de saúde pública, compatível com recomendações, da Organização
Mundial da Saúde, da Organização Pan-Americanada Saúde e do Banco Mundial e com o
Plano de Ação acordado na conferência das NaçõesUnidas sobre População e
Desenvolvimento, de 1994. O pacote destinar-se-á a ações sem saúde infantil, materna e
reprodutiva, incluindo atenção pré-natal, natal e pós-natal, informação e serviços
de planejamento familiar e prevenção do HIV/AIDS, bem como imunizações e programas de
combate as outras causas principais da mortalidade infantil. Os planos e programas serão
desenvolvidos de acordo com um mecanismo a ser decidido por cada país.
- Desenvolverão ou atualizarão planos nacionais de ação
ou programas de reforma a fim de alcançar as metas de saúde infantil, materna e
reprodutiva, bem como assegurar acesso universal e não-discriminatório aos serviços
básicos, incluindo programas de educação sanitária e de cuidados de saúde
preventivos. Os planos e programas serão desenvolvidos nos termos de um mecanismo a ser
definido por cada país. As reformas abrangerão serviços comunitários para os pobres,
os deficientes e os grupos indígenas; infra-estrutura mais vigorosa de saúde pública;
meios alternativos de financiamento, gestão e prestação de serviços; garantia de
qualidade e major utilização de atores e organizações não governamentais.
- Fortalecerão a atual Rede Interamericana sobre Economia e
Financiamento da Saúde, que serve de foro internacional de intercâmbio de
especialização única, informação e experiência em atividades de reforma do setor da
saúde. A Rede congrega autoridades públicas, representantes do setor privado,
instituições e atores não-governamentais, doadores e acadêmicos, para a discussão e
análise de políticas, atividades de treinamento e outras formas; fortalece as
capacidades nacionais nessa área essencial; e promove a cooperação no âmbito
hemisférico.
- Convocarão uma reunião especial dos Governos do
Hemisfério com doadores interessados entidades técnicas internacionais, sob os
auspícios do Banco Interamericano, do Banco Mundial e da Organização Pan-Americana da
Saude (OPAS),para estruturar mecanismos de reforma do setor da saúde, definir o papel da
OPAS no acompanhamento da implementação regional de planos e programas nacionais e
planejar o fortalecimento da Rede, que incluiria contribuições de co-patrocinadores.
- Aproveitarão a oportunidade da Reunião Anual do Conselho
Diretor da OPAS, com a presença de Ministros da Saúde do Hemisfério Ocidental e a
participação do BID e de outras doadores, para desenvolver um programa de combate a
endemias e doenças transmissíveis. E um programa de prevenção do alastramento do
HIV/AIDS e identificar fontes de financiamento.
- Instarão a conferência de Cúpula sobre Desenvolvimento
Social, a realizar-se em março de 1995, e a Quarta conferência Mundial sobre a Mulher, a
ter lugar em setembro de 1995, a abordar o tema do acesso aos serviços de saúde.
18. Fortalecimento do papel da mulher
na sociedade
O fortalecimento do papel da mulher na
sociedade reveste importância fundamental não somente para a sua total realização num
contexto de igualdade e justiça, mas também para alcançar um desenvolvimento
verdadeiramente sustentável. É essencial fortalecer as políticas e programas que
melhorem e ampliem a participação da mulher em todas as esferas da vida política,
social e econômica e que melhorem o acesso aos recursos básicos necessários para o
pleno gozo dos seus direitos fundamentais. Atender às necessidades da mulher significa,
em grande parte, contribuir para a redução da pobreza e das desigualdades sociais.
Os Governos:
Reconhecerão e respeitarão plenamente
todos os direitos da mulher como condição fundamental para o seu desenvolvimento como
indivíduos e para a criação de uma sociedade mais justa, unida e pacífica. Para esse
fim, devem-se promover políticas para assegurar que as mulheres usufruam da plena
proteção legal e direitos civis.
- Incluirão um enfoque de gênero no planejamento do
desenvolvimento e nos projetos de cooperação, bem como promoverão a realização do
potencial da mulher, melhorando a sua produtividade por meio da educação, treinamento,
capacitação profissional e emprego.
- Promoverão a participação das mulheres no processo
decisório em todas as esferas da vida política, social e econômica
- Tomarão as medidas apropriadas para tratar e reduzir o
problema da violência contra a mulher.
- Adotarão as medidas apropriadas para melhorar a capacidade
das mulheres para auferirem renda além das ocupações tradicionais, para alcançar
independência econômica e assegurar-lhes acesso igual ao mercado de trabalho em todos os
níveis de emprego, aos sistemas de previdência social, aos sistemas de crédito e à
aquisição de bens e terra
- Cooperarão plenamente com o recém-nomeado Relator
Especial sobre a Violência contra a Mulher, Suas Causas e Conseqüências, da Comissão
de Direitos Humanos das Nações Unidas.
- Apoiarão a conferência Mundial das Nações Unidas sobre
a Mulher, a realizar-se em Beijing em setembro de 1995, e trabalharão ativamente para o
êxito desse evento.
- Incentivarão, conforme apropriado, a ratificação e o
cumprimento da Convenção Internacional das Nações Unidas para Eliminar Todas as Formas
de Discriminação contra a Mulher e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher.
- Fortalecerão adicionalmente a Comissão Interamericana de
Mulheres.
- Instarão as organizações financeiras e técnicas
regionais e internacionais a intensificar os seus programas em prol da mulher.
Incentivarão a adoção de procedimentos de acompanhamento de medidas nacionais e
internacionais constantes deste Plano de Ação.
19. Estímulo à pequena e microempresa
A pequena e a microempresa contribuem com
grande percentagem do emprego das pessoas de baixa renda, entre as quais figuram
particularmente mulheres, e com considerável percentagem do produto interno bruto dos
nossos países. O fortalecimento do apoio a pequena e a micro empresa é elemento
essencial para o desenvolvimento sustentável e eqüitativo.
Os Governos:
- Darão prosseguimento ou início a programas de
desregulamentação e simplificação administrativa.
- Incrementarão seus esforços no sentido de habilitar as
empresas a obter informação sobre tecnologias apropriadas (especialmente as
ambientalmente adequadas), mercados, processos, matérias-primas e sistemas gerências que
os tornem mais competitivos na economia global.
- Desenvolverão programas de deregulamentação financeira a
fim de reduzir os custos de transações creditais e fortalecer a capacidade institucional
do setor financeiro que atende à pequena e à microempresa, bem como estimularão a
participação ativa de entidades multilaterais e bilaterais, bancos de desenvolvimento,
bancos comerciais e outras entidades intermediárias de crédito, compatível com estritos
padrões de desempenho.
- Fortalecerão as instituições e os programas de
prestação de serviços e facilitarão o acesso a assistência técnica e de treinamento,
a fim de possibilitar a participação do setor na economia global por meio da
exportação dos seus produtos e serviços.
- Incentivarão a cooperação entre as empresas do setor,
para habilitá-las a usufruir das vantagens das economias de escala sem perder suas
características próprias.
- Promoverão o fortalecimento das relações entre
instituições públicas, privadas e mistas (públicas/privadas) que apoiam o setor da
pequena e microempresa mediante programas de informação, treinamento, assistência
técnica, financiamento e organização de associações, assim possibilitando que esse
setor prospere no longo prazo.
- Recomendarão ás organizações multilaterais de
desenvolvimento, especialmente ao Banco Mundial e ao Banco Interamericano de
Desenvolvimento, a instituição ou reforço de fundos e outros mecanismos de apoio a
pequena e microempresa.
20. Capacetes brancos - Corpo de
Emergência e Desenvolvimento
A iniciativa dos "capacetes
brancos" baseia-se na convicção de que um esforço internacional concertado dos
países desenvolvidos e em desenvolvimento pode facilitar a erradicação da pobreza e
fortalecer a capacidade de resposta humanitária rápida da comunidade internacional a
necessidades urgentes de caráter humanitário, social e de desenvolvimento.
Os países das Américas poderiam assumir
a vanguarda dessa iniciativa mediante a criação de corpos nacionais de voluntários que
poderiam atender a apelos de outros países da região. Futuramente, esses corpos poderiam
ser colocados a disposição das Nações Unidas.
Voluntariamente, os Governos:
- Estabelecerão, organizarão e financiarão um corpo de
voluntários para trabalhar no nível nacional e, ao mesmo tempo, estar de prontidão à
disposição de outros países do Hemisférioe futuramente das Nações Unidas, para
atividades de prevenção, socorro, reabilitação e cooperação técnica, social e de
desenvolvimento visando a reduzir os efeitos de desastres naturais, necessidades e
emergências sociais e de desenvolvimento.
- Assumirão, mediante a criação de corpos de voluntários
nacionais, as seguintes responsabilidade:
- A seleção e treinamento dos seus corpos nacionais de
voluntários.
- O financiamento dos seus corpos nacionais de voluntários,
encorajando a participação do setor privado; e
- Prontidão para o envio imediato de voluntários
especializados, sem aviso prévio e a pedido das Nações Unidas, para o atendimento de
situações geradas por desastres naturais e outras emergências humanitárias ou para
evitar os seus efeitos.
- Contribuirão para a formação deste corpo e convidarão
empresas privadas, fundações e instituições financeiras regionais para fazê-lo.
- Contribuirão para a preparação de uma lista
internacional de voluntários, a ser mantida num plano mestre da ONU, a ser utilizada para
complementar as atividades de mecanismos existentes na ONU. O Banco Interamericano de
Desenvolvimento, a Organização dos Estados Americanos e a Organização Pan-Americana da
Saúde devem ser convidados para participar desse corpo e prestar assistência ao seu
desenvolvimento.
IV. GARANTIA DO DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL E CONSERVAÇÃO DO NOSSO MEIO NATURAL PARA AS GERAÇÕES FUTURAS
21. Parceria para o uso sustentável da
energia*
Em conformidade com a Agenda 21 e a
Convenção Quadro sobre Mudança do Clima, o desenvolvimento e o uso sustentável de
energia promovem o desenvolvimento econômico e atendem aos interesses ambientais. Os
Governos e o setor privado devem promover maior acesso a serviços energéticos
confiáveis, limpos e de custo mínimo, por meio de atividades e projetos que satisfaçam
os requisitos econômicos, sociais e ambientais no contexto das metas do desenvolvimento
nacional sustentável e dos quadros jurídicos nacionais.
Os Governos:
- Levarão adiante, de acordo com as respectivas leis,
estratégias energéticas nacionais de custo mínimo que levem em conta todas as opções,
incluindo eficiência energética, energia renovável não-convencional (v.g., solar,
eólica, geo térmica, hidrelétrica em pequena escala e de biomassa), bem como recursos
energéticos convencionais.
- Darão ênfase à determinação de preços com
orientação de mercado que desincentiva o desperdício de energia.
- Para fins de financiamento prioritário e desenvolvimento,
identificarão, no mínimo, um projeto economicamente viável em cada uma das seguintes
áreas: energia renovável não convencional, eficiência de energia e energia
convencional limpa.
- Promoverão, em cooperação com o setor privado e
comunidades rurais e isoladas, programas de eletrificação rural que levem em
consideração, conforme apropriado, a utilização de fontes renováveis de energia, de
acordo com o quadro regulador nacional.
- Procurarão ratificar a Convenção Quadro sobre Mudança
do Clima, que entrou em vigor em 21 de março de 1994, e iniciar a implementação de suas
disposições.
- Incentivarão o Banco Mundial e o Banco Interamericano de
Desenvolvimento a incrementar pronta e substancialmente, como parte dos empréstimos para
o setor energético, o financiamento de projetos relacionados com a eficiência de energia
e a energia renovável, bem como o financiamento para melhorar a sustentabilidade
ambiental de fontes convencionais de energia, de acordo com a racionalidade econômica.
- Instarão as instituições financeiras multilaterais e
outras entidades financeiras públicas e privadas a financiar programas regionais e
nacionais em apoio a este plano de ação, tais com programas de treinamento e
intercâmbio e de cooperação tecnológica, de acordo com as necessidades e as
condições dos países recipiendários.
- Ajudarão a coordenação e cooperação técnica entre os
países, por intermédio das organizações regionais existentes, incluindo
identificação e implementação de projetos, programas de treinamento e intercâmbio de
pessoal e informação destinados a melhorar a capacitação.
- Promoverão a identificação e implementação de projetos
do setor privado que reduzam as emissões de gases de estufa.
- Convocarão um Simpósio de Energia Sustentável, a
realizar-se na primeira metade de 1995, para discutir as atividades de seguimento
relacionadas com esta iniciativa. No espírito de cooperação, os países intercambiarão
experiências e examinarão o progresso da implementação deste Plano de Ação.
*Esta iniciativa esta integralmente
vinculada ao item "Cooperação no campo da energia".
22. Parceria para a biodiversidade
Nosso Hemisfério contem mais de metade da
biodiversidade do mundo. Para sustentar o desenvolvimento econômico e social do
Hemisfério, devemos intensificar os esforços no sentido de compreender, avaliar e usar
de forma sustentável essa base de recursos vivos. Devemos agir agora para incrementar a
capacidade técnica e gerencial e conscientizar a opinião pública a respeito das ações
nacionais e internacionais nessa área. A Agenda 21, a Convenção sobre Diversidade
Biológica e outros instrumentos internacionais correlatas reconhecem essas necessidades e
defendem a conservação e o uso sustentável de recursos da biodiversidade.
Os Governos:
- Procurarão assegurar que as estratégias de conservação
e uso sustentável da biodiversidade desejam integradas em atividades relevantes de
desenvolvimento econômico, tais como silvicultura, agricultura e gestão de zonas
costeiras, levando em conta a dimensão social e impacto dessas atividades.
- Desenvolverão e implementarão políticas, técnicas e
programas de avaliação, conservação e uso sustentável de recursos da biodiversidade
terrestres, marinhos e das zonas costeiras.
- Procurarão ratificar a Convenção sobre Diversidade
Biológica e aproveitar as oportunidades de colaboração que a mesma oferece e, conforme
apropriado, outros instrumentos internacionais e regionais na área do meio ambiente.
- Apoiarão mecanismos governamentais democráticos para
mobilizar a participação do público e, em particular, a dos membros de comunidades
indígenas e de outros grupos afetados, na formulação de polítical que envolvam a
conservação e o uso sustentável de meios naturais. Cada país devera definir
individualmente as formas dessa participação.
- Prepararão planos e programas nacionais para estabelecer e
fortalecer a gestão de parques e reservas, visando a gerar benefícios econômicos,
sociais e ecológicos para a população local.
- Criarão condições para conservação e uso sustentável
da biodiversidade, mediante programas sobre gestão de parques e áreas protegidas, manejo
de florestas e áreas unidas, mediante o Plano de Ação para os Pequenos Estados
Insulares em Desenvolvimento, a Iniciativa sobre os Recifes de Coral, os projetos de apoio
da CITES e o Plano de Ação de Combate a Poluição Marinha na Região do Caribe, entre
outros.
- Proclamarão uma "Década da Descoberta", para
promover a cooperação técnica e científica de âmbito hemisférico e facilitar o
intercâmbio de informação relevante a conservação e ao uso sustentável da
biodiversidade.
- Intensificarão o apoio a iniciativas de treinamento e
educação orientadas para o uso sustentável de recursos da biodiversidade e fomentarão
as atividades de assistência ao treinamento de gerentes e do fortalecimento de
comunidades locais, desenvolvidas por universidades, atores não-governamentais e setor
privado.
- Instarão as instituições multilaterais financeiras,
entre as quais o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Fundo Global do Meio
Ambiente, a apoiar projetos regionais e nacionais qualificados.
- Examinarão o progresso da implementação das atividades
nacionais e internacionais acima descritas, por ocasião da conferência de Cúpula sobre
Desenvolvimento Sustentável a realizar-se na Bolívia em 1996 e em subsequentes reuniões
anuais no nível ministerial sobredesenvolvimento sustentável.
23. Parceria para a prevenção da
poluição
Tal como acordado na Agenda 21, uma
gestão adequada do meio ambiente e elemento essencial desenvolvimento sustentável.
Cumpre envidar, em cooperação, esforços para desenvolver ou melhorar, em conformidade
com as leis nacionais e os instrumentos internacionais pertinentes: 1) estruturas de
proteção do meio ambiente; e 2) mecanismos de implementação e aplicação de normas
ambientais. Para tanto, uma nova parceria promoverá atividades de cooperação visando a
desenvolver políticas, leis e instituições ambientais, melhorar a capacidade técnica,
promover a conscientização e a participação do público, continuar a procurar meios de
cooperação tecnológicos, financeiros e de outra natureza, bem como facilitar o
intercâmbio de informação, inclusive sobre tecnologias ambientalmente adequadas. Essas
atividades conjuntas terão por base e farão avançar a implementação de acordos e
princípios internacionais, inclusive os acordados na conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de1992, e na conferência Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, de 1994, em
áreas identificadas como prioritárias pelos países do Hemisfério.
Os Governos:
- Fortalecerão e estabelecerão capacidade técnica e
institucional para a abordagem de prioridades em matéria ambiental, tais como pesticidas,
contaminação por chumbo, prevenção da poluição. E a redução de riscos, questões
relativas a resíduos e saneamento, melhoria da qualidade do ar e da água, acesso a água
potável e problemas ambientais urbanos, bem como promoverão a participação e
Conscientização do público.
- Prepararão e implementarão planos nacionais de acordo
para a gradual eliminação do chumbo adicionado à gasolina.
- Fortalecerão estruturas e mecanismos de proteção do meio
ambiente para fins de implementação e aplicação, bem como incluirão critérios e
objetivos de sustentabilidade nas estratégias nacionais de desenvolvimento.
- Manterão consultas nacionais para identificar prioridades
para provável colaboração internacional.
- Apoiarão mecanismos governamentais democráticos para
mobilizar a participação do público, em particular a dos membros de comunidades
indígenas e outras afetadas, na consideração de políticas sobre impacto ambiental de
projetos de desenvolvimento e na formulação e aplicação de legislação ambiental.
- Convocarão uma reunião de especialistas técnicos,
designados por cada país interessado, para desenvolver uma estrutura para parceria de
cooperação, aproveitando instituições e redes existentes para identificar projetos
prioritários. Inicialmente, esses projetos focalizarão: 1)problemas sanitários e
ambientais associados ao uso inadequado de pesticidas; e 2) impactos causados por
contaminação por chumbo na gasolina e em outras fontes. As atividades subsequentes
poderiam abranger resíduos, qualidade do ar e da água, poluição marinha por navios e
por outras fontes, bem como problemas associados à urbanização.
- Promoverão a participação de organizações, tais como o
BID, FMI, Banco Mundial, OPAS e OEA, bem como atores e organizações não-governamentais,
conforme apropriado, no financiamento, desenvolvimento e implementação de projetos
prioritários.
- Formularão polítical e leis ambientais, visando a
assegurar que o processo de integração econômica da região ocorra de maneira
ambientalmente sustentável.
- Estabelecerão mecanismos de cooperação entre os orgãos
públicos, inclusive nas áreas judicial e de aplicação da lei, para facilitar o
intercâmbio de informação ambiental, a cooperação tecnológica e o fortalecimento
institucional.
- Desenvolverão, em altos níveis da proteção do meio
ambiente, leis e regulamentos ambientais compatíveis e promoverão a execução de
acordos internacionais sobre o meio ambiente.
- Examinarão o progresso da implementação das atividades
nacionais e internacionais acima descritas, por ocasião da Conferência de Cúpula sobre
Desenvolvimento Sustentável, a realizar-se na Bolívia em 1996, e em subsequentes
reuniões anuais em nível ministerial sob desenvolvimento sustentável.
Apêndice
A responsabilidade principal pela
implementação deste Plano de Ação compete aos Governos, individual e coletivamente,
com a participação de todos os segmentos das nossas sociedades civis.
As organizações e instituições já
existentes são convocadas a implementar um conjunto de iniciativas resultante desta
Cúpula das Américas. Em muitos casos, propusemos que questões específicas sejam
examinadas em reuniões de ministros, de altos funcionários ou especialistas. Propomos
também que algumas destas iniciativas sejam implementadas em conjunto pelos setores
público e privado. Desejando beneficiar-nos de mecanismos hemisféricos já existentes e
considerando as diversas propostas incluídas neste Plano de Ação, oferecemos as
seguintes recomendações, as quais não impedirão os Governos de abordar outras
instituições não mencionadas aqui, conforme apropriado.
I. Principais iniciativas de que
participarão as organizações e instituições internacionais
A) A OEA terá papel de destaque no
acompanhamento das diversas decisões desta Conferência de Cúpula. No tocante ao Plano
de Ação, a OEA tem papel especialmente importante em conexão com o seguinte:
- Fortalecimento da democracia
- Promoção e proteção dos direitos humanos
- Combate à corrupção
- Eliminação da ameaça do terrorismo nacional e
internacional
- Fortalecimento da confiança mútua
- Livre comércio nas Américas
- Infra-estrutura de telecomunicações e informação
O Plano de Ação também prevê um papel
para a OEA nas seguintes áreas:
- Promoção de valores culturais
- Combate ao problema das drogas ilícitas e crimes conexos
- Cooperação em ciência e tecnologia
- Fortalecimento do papel da mulher na sociedade
- Parceria para a prevenção da poluição
B) Instamos o Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) a apoiar as atividades especificadas neste Plano de Ação. As
políticas acordadas no recém-concluído documento do seu capital e no aumento do Fundo
para Operações Especiais já caminham na direção assinalada, devendo ser objeto de
ênfase especial. O BID desempenha papel especialmente importante nas seguintes áreas:
- Acesso universal à educação
- Acesso eqüitativo aos serviços básicos de saúde
- Estímulo à pequena e microempresa
- Parceria para o uso sustentável da energia
- Parceria para a biodiversidade
- Parceria para a prevenção da poluição
Além disso, o Plano de Ação prevê um
papel para o BID e Instituições a ele afiliadas nas seguintes áreas:
- Promoção e proteção dos direitos humanos
- Revigoramento da sociedade/participação comunitária
- Promoção de valores culturais
- Combate à corrupção
- Combate ao problema das drogas ilícitas e crimes conexos
- Livre comércio nas Américas
- Desenvolvimento e liberalização dos mercados de capitais
- Infra-estrutura hemisférica
- Cooperação em ciência e tecnologia
- Capacetes brancos - Corpo de Emergência e Desenvolvimento
C) Instam-se outras organizações
internacionais, principalmente a CEPAL e a OPAS noHemisfério, bem como o Banco Mundial e
todos os organismos do sistema das Nações Unidas ativos no hemisfério, a prestar
assistência na implementação dos itens de ação, conforme apropriado.
II. Reuniões de alto nível
As seguintes reuniões e conferências de
alto nível terão a incumbência de implementar os mandatos emanados da conferência de
Cúpula:
- conferência de Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável
(Bolívia, 1996), com reuniões ministeriais anuais de acompanhamento
- conferência Ministerial sobre Combate a Lavagem de
Dinheiro (precedida de reunião técnica)
- Conferência de Doadores para a Elaboração de Programas
de Desenvolvimento Alternativo para Deter o tráfico de Entorpecentes
- Conferência Global sobre Combate a Entorpecentes
- Conferência Especial da OEA sobre Combate ao terrorismo
- Conferência Regional sobre Medidas de Fortalecimento da
Confiança (Chile, 1995)
- Reuniões dos Ministros responsáveis pelo comércio (junho
de1995, março de 1996)
- Reunião da Comissão sobre Assuntos Financeiros
Hemisféricos
- Reunião hemisférica sobre Desenvolvimento das Indústrias
de Energia (primeiro semestre de 1995)
- Reunião dos Ministros Responsáveis pela Ciência e
Tecnologia (1995)
- Reunião dos Governos e Doadores/Entidades Técnicas para
Estabelecer Mecanismos de Reforma da Saúde
- Simpósio sobre Energia Sustentável (primeira metade de
1995)
III. Iniciativas em que as parcerias
dos setores público e privado desempenham papel importante
- Fortalecimento da democracia
- Promoção e proteção dos direitos humanos
- Fortalecimento da sociedade/participação comunitária
- Promoção dos valores culturais
- Combate a corrupção
- Infra-estrutura hemisférica
- Cooperação em ciência e tecnologia
- Acesso universal à educação
- Acesso eqüitativo aos serviços básicos de saúde
- Estímulo a pequena e microempresa
- Capacetes brancos - Corpo de Emergência e Desenvolvimento
- Parceria para o uso sustentável da energia
- Parceria para a biodiversidade
- Parceria para a prevenção da poluição
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